GOVERNO CONFIRMA DIVISÃO DE LUCRO DE R$ 7,28 BI DO FGTS

Valor será distribuído proporcionalmente entre 88 milhões de trabalhadores

O governo anunciou nesta quinta-feira a divisão de mais R$ 7 bilhões do lucro do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), como antecipou O GLOBO na edição de sábado. Segundo a Caixa Econômica Federal, serão partilhados R$ 7,28 bilhões. Isso representa a metade do lucro do fundo no ano passado. O valor será distribuído proporcionalmente entre 88 milhões de trabalhadores com contas ativas e inativas até 31 de dezembro de 2016.

A remuneração das contas será 1,93 ponto percentual a mais do que os 5,11% que rendeu o dinheiro no ano passado. Com isso, o rendimento para o trabalhador será de 7,14% no ano passado.

Quem sacou dinheiro de contas inativas também receberá o crédito equivalente por esses recursos.

A ideia de dividir o lucro do fundo já existia desde o ano passado. O governo aproveitou a medida provisória que permitiu o saque de contas inativas para definir uma política permanente que melhore a rentabilidade para os trabalhadores. A norma estipula que metade do lucro será repartida com os cotistas todos os anos.

Essa foi uma alternativa encontrada para aumentar a remuneração do FGTS. No início do governo Michel Temer, vários técnicos defendiam a melhora da rentabilidade. No entanto, houve resistência por causa da preocupação com os possíveis impactos no custo dos empréstimos para casa própria. A solução encontrada foi dividir o lucro com os cotistas.

O dinheiro não entra automaticamente na economia brasileira. Ele começar a circular apenas quando trabalhadores foram demitidos ou comprarem a casa própria.

A aplicação no FGTS ganhou da inflação no ano passado. Em 2016, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 6,28%.

— Depois de décadas, o FGTS vai ter um rendimento maior que a inflação. Isso demonstra a natureza do nosso governo: botar a economia nos trilhos e gerar emprego — disse o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ressaltou o fato de o rendimento do fundo ter passado a proteger o dinheiro do trabalhador da inflação. Durante a cerimônia, no Palácio do Planalto, ele frisou que o Brasil tomou medidas para sair crise. Ele aproveitou ainda a oportunidade para falar do principal tema do dia: a crise fiscal.

O governo anunciará uma nova meta para as contas públicas. Deve admitir publicamente, que não conseguirá manter o rombo em R$ 139 bilhões. Sem falar em meta disse que o governo tem apenas duas opções para chegar ao equilíbrio fiscal:

— Ou aumenta mais imposto ou toma mais recursos da sociedade aumentando o endividamento e os juros — disse o ministro. Meirelles não informou qual será a nova meta. Apenas disse que o governo está comprometido em recuperar o Brasil e, por isso, tem enviado medidas “corajosas” enviadas ao Congresso.


RENDIMENTO


O rendimento médio é de R$ 30 por trabalhador. Ele varia de acordo com o saldo que cada um tem na conta do FGTS.

A maioria dos cotistas receberá até R$ 10. Quase 181 milhões de contas terão aportes iguais ou menores que isso. Já quase 48 milhões de contas terão depósitos de até R$ 100. Apenas 16 milhões de trabalhadores terão um dividendo até R$ 1 mil.

Quanto maior o benefício, menor o número de beneficiados. Apenas 835 mil trabalhadores tem saldo suficiente para receber rendimentos que chegam a R$ 5 mil. E somente 24,6 mil pessoas terão um aporte acima desse valor.

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