A Ingovernabilidade Continua

A pouco mais de um ano, estávamos vivendo um processo político de ingovernabilidade que culminou com o impeachment da presidente Dilma. O país ficou dividido e ainda guarda resquícios da fissura social, diante dos problemas políticos e econômicos que não foram resolvidos. Hoje caminhamos para a mesma situação. As denuncias e a abertura de processo de investigação contra o atual presidente Temer, faz o governo caminhar a passos largos para um colapso de governabilidade.

As pautas bombas do governo sobre as reformas previdenciária e trabalhista, que subtraem direitos, ferem a representatividade sindical e precariza as relações de trabalho, serviram como visgo para a união da classe trabalhadora, poucas vezes vista no país. A greve geral do dia 28 de abril, a passeata dos mais de 100 mil em Brasília realizada pelas centrais é prova incontestável desse fato.
O atual momento é de profunda crise: os números do mercado, os mais de 14 milhões de desempregados, o rebaixamento da nota de investimento, a inconstância do valor do dólar e o crescimento pífio da economia, vitaminado com as gravações realizadas entre um empresário e o presidente em solo republicano, fez com que o governo se tornasse uma carniça indigesta para qualquer urubu.

O governo Michel Temer balança como fruta madura, mais para cair no chão do que ser retirado da árvore, embora ainda não tenha caído. É um governo instável. Aqueles que o apoiaram no movimento do impeachment estão cobrando a fatura. O crescimento econômico não veio, à instabilidade política não passou e a lava jato não parou.

Tem bala de prata para tudo que é lado e gosto. Se a câmara federal tem seus fantasmas, o senado tem seus mortos para serem enterrados. Não há poder da nação incólume. As questões são: Quem vai pagar a fatura do desgoverno? Ou quem já está pagando a fatura? Há de fato uma ruptura entre a antiga forma de se fazer política e a nova? Teremos uma reforma política de verdade? Teremos uma reforma do Estado? É apropriado num momento de crise, um governo sem apoio popular, enfiar goela abaixo reformas danosas aos trabalhadores?

Em meio a tamanhas indagações, temos o nosso congresso nacional da força que pode ser um norteador de propostas capazes de ecoarem em Brasília. Somos contra a reforma previdenciária e contra a reforma trabalhista nas condições que estão propostas. Somos contra o conteúdo e a forma. Não se pode atropelar uma nação com uma agenda que só interessa aos empresários e aos donos do capital. O cidadão comum não é um número nem um mero dado estatístico numa projeção feita por analistas de mercado. O Brasil não é a China do ocidente.

É bom que se diga que o movimento sindical está presente em todas as democracias do mundo moderno. Não se pode aceitar o jargão da “modernização” que serve como verniz para lustrar a “precarização” em curso dentro da proposta da reforma trabalhista. Portanto, a história mostra que são nos momentos mais difíceis, nos momentos mais tensos e de maior desigualdade que as relações de indignação entre os injustiçados crescem, e o sentimento de união se fortalece na valorização dos pontos comuns que se alinham na defesa dos mais fracos.

Essa missão cabe ao nosso congresso. O momento é de fazermos agora a diferença histórica sobre o que será falado em relação ao movimento sindical no futuro. O presente está nos cobrando, o nosso passado de sangue e luta joga sobre os nossos ombros esta responsabilidade e o futuro será o resultado do que construirmos agora.

A luta sempre continua!

 

Danilo Pereira da Silva
Presidente da Força Sindical São Paulo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *