A violência contra a mulher persiste

Em pleno século 21 a violência contra a mulher persiste. Só para exemplificar, em 2013, 13 mulheres morreram por dia vítimas de feminicídio, de acordo com dados do último Mapa da Violência. Também somos o 5º país com maior homicídio de mulheres num ranking com 83 países feito pela Organização Mundial da Saúde.

Marielle, Hemilly, Taís, Nathalie são algumas das muitas mulheres que tiveram a vida interrompida apenas nas últimas semanas. No dia dedicado às mulheres números revelaram que ser mulher no Brasil é difícil e perigoso e que ainda estamos aquém da igualdade.

No âmbito trabalhista a realidade não é nada animadora, ainda persiste uma disparidade salarial. Mesmo com maior escolaridade as trabalhadoras ganham em média 76% do salário dos homens, segundo o IBGE. E se a trabalhadora for negra o rendimento é ainda pior: recebe 40% do salário de um homem branco e 58% de uma mulher branca.

Ainda na esfera trabalhista, outro dado chama atenção: em 2016 apenas 37% dos cargos de direção e gerência eram ocupados por mulheres, enquanto os homens ocupavam 62,2% dos altos postos no país.

E quando o assunto é divisão de responsabilidades domésticas, a desigualdade prossegue.

Dados mostram que ainda estamos na contramão da igualdade entre homens e mulheres, aquela consagrada no artigo 5º da Constituição brasileira, a base da democracia. E democracia é incompatível com a discriminação.

A construção de uma sociedade mais justa passa necessariamente pelo fim à discriminação. Portanto, homens devem se juntar nessa luta abolindo comportamentos que, de alguma forma inferiorizem a mulher. Os micromachismos, gestos e comentários discriminatórios sutis também precisam ser repensados. Apresentar uma mulher pelo cargo ou posição do marido, em vez de dizer seu nome e profissão é um bom exemplo do que não deve ser feito.

O sindicato também tem papel fundamental no combate ao machismo tão arraigado em nossa cultura. Cabe a ele em suas negociações estimular uma licença paternidade maior, como já ocorre em muitos países da Europa, equiparando assim as responsabilidades sobre a criança, abrir canais de denúncia para o assédio moral e sexual, combater práticas discriminatórias dentro da empresa e promover debates com a categoria.

Danilo Pereira
Presidente da Força São Paulo

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