Aposentados promovem Carnaval de Protesto amanhã, na Avenida Paulista

Fonte: Assessoria de imprensa da Força e Agência Sindical

“Vamos mostrar as dificuldades que os idosos enfrentam”, diz Marcos Bugarelli, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados

Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), filiado à Força Sindical, realiza amanhã (30) um desfile-protesto na avenida Paulista. O tema central do Carnaval de Protesto 2018 será a reforma da Previdência.

A concentração acontecerá a partir das 9 horas na Praça Osvaldo Cruz, próximo ao Shopping Paulista. Cerca de 2 mil manifestantes devem participar do protesto, que ocorrerá em ritmo de samba em desfile que seguirá até o vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo).

Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Marcos Bulgarelli, o Carnaval de Protesto vai mostrar à sociedade “as dificuldades que a população idosa enfrenta”.

Temas – A escola de samba “Unidos dos Aposentados” desfilará com oito alas temáticas, que empunharão cartazes e bandeiras expondo suas reivindicações. Entre elas, aumento real para benefícios acima do salário mínimo, transparência das contas da Previdência, saúde pública gratuita e de qualidade, redução das taxas de juros, isenção de imposto de renda para aposentados, combate à carestia.

Hoje,o jornal Folha de S. Paulo publicou reportagem com o título “Brasileiros não temem a morte, mas a dependência, mostra Datafolha”, que mostram dados interessantes sobre a Terceira Idade. Vale a pena ler.

Segundo a pesquisa, foram ouvidos 2.732 brasileiros com 16 anos ou mais sobre assuntos como saúde, sociedade, família e finanças. O levantamento, realizado em todas as regiões do país, tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Dos entrevistados, 84% têm medo de depender fisicamente de alguém, 83% temem a dependência mental e 78%, a financeira. Mulheres são mais medrosas que homens: 87% a 81%, 86% a 79% e 81% a 75%, respectivamente.

O temor faz sentido. Um estudo da USP, que corrobora pesquisas internacionais, demonstrou que os paulistanos estão vivendo mais, porém em piores condições.

Em dez anos, a taxa de incapacidade por doenças em São Paulo cresceu 78,5% entre os homens e 39,2% entre as mulheres acima de 60 anos. Entre 2000 e 2010, essa população ganhou, em média, dois anos a mais de expectativa de vida, mas perdeu até três de vida saudável.

O estudo usou dados do Sabe, um projeto da Faculdade de Saúde Pública da USP que acompanha diferentes gerações de idosos na capital paulista desde 2000.

“Há uma perda de capacidades em todas as faixas etárias, especialmente entre as mulheres. Elas desenvolvem mais doenças articulares, motivadas, muitas vezes, pela obesidade”, diz Yeda Duarte, professora associada da USP e coordenadora do Sabe.

Uma outra pesquisa da Escola de Saúde Pública de Harvard, que comparou as condições de saúde em 187 países no mesmo período, observou tendência semelhante. A expectativa de vida cresceu, em média, cinco anos, mas pelo menos um ano foi de vida com incapacidade.

O geriatra Alessandro Campolina, autor do estudo brasileiro, fez também projeções sobre o impacto das doenças que mais afetam os idosos. “Se a hipertensão e o diabetes fossem controlados, os homens ganhariam até seis anos de expectativa de vida livre de incapacidade”, diz.

Doenças mentais, articulares e as quedas são outros fatores importantes de incapacidade. Juntas elas respondem por quase 70% da carga de enfermidades dos idosos.

Segundo Yeda Duarte, em geral, primeiro ocorrem as perdas instrumentais, a pessoa perde a capacidade de lidar com dinheiro ou de manter a casa limpa, por exemplo.

Depois, vêm as básicas, como tomar banho ou comer sozinho. “Antes, os idosos ficavam com essas limitações mais tarde. Agora, devido ao sedentarismo e à obesidade, isso tem acontecido mais cedo, às vezes, na faixa dos 60 anos.”

O problema, diz Yeda, é que o país não tem políticas voltadas para a prevenção dessas incapacidade. “Nem no setor público nem no privado”, observa a geriatra Maisa Kairalla, presidente da regional paulista da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Ela lembra, porém, que as pessoas também têm que assumir a responsabilidade pela sua própria saúde. “A gente não muda a genética, mas podemos mudar hábitos de vida e entender os ônus e os bônus das nossas escolhas.”

VELHICE

No total, 71% dos brasileiros não temem a velhice e 74% não têm medo da morte. Os homens são os mais destemidos em ambos os temas: 76% contra 67% delas e 79% contra 69%, respectivamente.

Na média, os brasileiros querem viver até os 89 anos de idade, resposta que se mantém constante em todas as faixas etárias.

A faixa dos que têm mais de 60 anos é a que menos tem medo da velhice e da morte (80% nos dois casos). E aqui de novo os homens são mais destemidos (83% contra 78% para velhice, 84% contra 74% para a morte). O ápice dos que têm muito medo da velhice acontece dos 35 aos 44 anos: 11% deles dão essa resposta. Já em relação ao medo de morrer, ele decresce com a idade, de 67% de destemidos entre os mais novos até 80% entre os mais idosos.

“É natural que as pessoas tenham medo menor de algo que elas já têm certeza [a morte] e temam mais aquilo que está incerto. Sei que vou morrer, mas não sei se ficarei inválido, pobre, dependendo de outras pessoas”, diz o geriatra Douglas Crispim, médico assistente do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Os brasileiros com curso superior são os mais apavorados: 13% dizem ter muito medo da velhice. Os mais ricos são ainda mais medrosos: 19% dos que ganham acima de 10 salários mínimos (no total da população) têm muito medo de envelhecer, contra 9% entre os que ganham menos de 5 salários mínimos. Os brasileiros mais ricos têm também menos medo de morrer: 17%, contra 26% dos mais pobres.

FINANCEIRA

Das três dependências, a financeira é a que apresenta maior queda quando se olham os mais velhos: 69% dos idosos temem depender de alguém financeiramente, contra 78% dos mais jovens. O pico é aos 35-44 anos, no qual 82% assumem o temor.

O medo, entre os idosos, de ficar dependente física ou mentalmente chega a 83% entre mulheres.

“O sistema público de saúde caótico e os planos cada vez mais caros fazem com que muita gente que vive do seu trabalho corra o risco de ficar sem um meio de sobrevivência se perder o emprego ou se tornar inválido”, diz Crispim.

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