Lei ilegal e imoral é pra ser combatida!

Não é de hoje que o movimento sindical vem sofrendo ataques, numa declaração clara do patronato em enfraquecer as ações dos sindicatos e da sua organização. Sindicato, como qualquer organização social, precisa de recursos para existir.

O fim do imposto sindical, sacramentado com a vigência da reforma trabalhista a partir do mês de novembro deste ano, criou um hiato que trará consequências ruins inevitáveis aos direitos dos trabalhadores conquistados pelos sindicatos. Teremos que nos reinventar, trocando o “pneu do carro em movimento.”

Infelizmente o trabalhador se ateve ao fim do imposto sindical, como uma medida positiva, esquecendo-se do restante da reforma trabalhista, aonde reside uma série de mudanças na CLT que causarão um retrocesso nas relações capital e trabalho, comtemplando aos patrões, uma proteção desproporcional em relação aos trabalhadores.

Só para exemplificar: Os trabalhadores arcarão com ás custas do processo trabalhista caso percam a ação, coisa que não acontecia até bem pouco tempo. Mulheres grávidas ou não, poderão ficar expostas a ambiente insalubre de trabalho, trazendo prejuízo à saúde de ambas. Além disso, a reforma trabalhista criou o trabalhador intermitente e o autônomo exclusivo, consolidando a ilegalidade travestida de lei.

Nós iremos resistir, porque entendemos que existem “leis ilegais e imorais.”
Aceitar uma lei por ser lei, em nada tem haver com democracia, mas com subserviência. Por muito tempo neste país, escravidão foi lei. As pessoas eram vendidas como mercadoria e tratadas como animais.

Foi do processo de indignação, organização, mobilização e resistência de parte da sociedade, que as mudanças vieram e a lei foi extinta. Agora temos a “escravidão da modernidade” que tenta vender a liberdade sem entregar. As algemas estão nos baixos salários, condições improprias de moradia, sem acesso a esgotamento sanitário, educação e saúde de qualidade. A reforma trabalhista e a possível reforma da previdência são engrenagens, de uma máquina de fazer suco de gente.

Com ambas as reformas, perdemos o senso humanitário e iluminista dos pilares da revolução francesa traduzidos em liberdade, igualdade e fraternidade. Aceitar as reformas é abrir mão de cuidarmos uns dos outros, aderir o cada um por si, sem esquecemos que a selvageria do capital recairá sobre os mais pobres.

Em nome deste cenário desafiador, precisamos superar nossas divergências internas, seja no quadro sindical e no quadro político. Precisamos urgente de unicidade e determinação. Precisamos nos superar e identificar quem e quais são nossos verdadeiros adversários na luta pelos trabalhadores.

Ano que vem teremos eleições, e precisamos decidir que caminho tomar. Apesar de tudo, nossa situação nunca foi fácil. Nunca estivemos do lado mais forte da corda, portanto, trabalhar com adversidades é quase um mantra para quem está no sindicalismo.

Perseverar, lutar e resistir é o que nos resta!

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