Medo e desemprego afligem venezuelanos em Roraima

Fonte: R7

Cerca de 40 mil migrantes vivem na cidade de Boa Vista, segundo cálculos da prefeitura; Venezuela já despatriou 2,3 milhões de pessoas

Desanimados pela falta de trabalho e inseguros. Esses são os sentimentos entre os venezuelanos entrevistados pela reportagem do R7 nesta quinta-feira (23) em Boa Vista, capital de Roraima.

Cerca de 40 mil migrantes vivem na cidade, segundo cálculos da prefeitura, após fugirem da maior crise econômica e de abastecimento da história do país, que já despatriou 2,3 milhões de venezuelanos.

“Na Venezuela tem emprego, mas o salário não é suficiente”, resume Luis Vallenilla, de 36 anos, para explicar por que decidiu vir ao Brasil há 5 meses.

De enxada na mão, Henry Firmin, de 54 anos, tenta a sorte do dia em frente à Praça Bolívar, porta de entrada da capital para quem chega pela BR 174 vindo da “linha”, a fronteira entre os dois países, a 200 km de distância.

Há 15 dias no Brasil, Firmin caminha todos os dias cerca de 4 km oferecendo serviços para capinar terrenos ou trabalho em obras, mas não conseguiu nada até agora além de uma promessa de que na próxima segunda-feira, talvez, o trabalho apareça.

— Dependem de mim três filhos, dois netos do meu filho assassinado em um roubo e minha mulher, que está doente. Estão todos em Maturín.

Assim como Firmin e Vallenilla, o faz-tudo Daniel Ribas, de 30 anos, sabe das dificuldades de encontrar emprego em Roraima, onde vive há dois anos.

— Os brasileiros tem desconfiança com os venezuelanos. Alguns largam o trabalho depois de conseguir algum dinheiro, então a empresa acaba não dando emprego pra gente depois.

Medo no Brasil

Os ataques a venezuelanos registrados em Pacaraima no último final de semana, quando um grupo de brasileiros atirou fogos de artifício e ateou fogo a pertences de refugiados hospedados na rua, reforçou o alerta em Boa Vista, onde estão a maioria dos migrantes.

“Todos os venezuelanos sentimos medo, porque foi muito feio o que aconteceu [em Pacaraima]”, conta Firmin.

— Viemos ao Brasil para tocar a vida, mas temos medo de aparecer alguém e nos agredir. A gente espera de tudo aqui.

Jesus Oitia, de 31 anos, que acompanha a conversa, conta que já teve o celular roubado e que já foi ameaçado com uma faca.

— Aqui é ‘ojo’ (atenção).

Apontando para uma SUV em frente à sede da PF, Vallenilla reclama de insultos, ameaças e humilhações no Brasil.

— Eles jogam o carro em cima da gente. Os venezuelanos têm medo de sair à noite.

Os refugiados dizem que há compatriotas praticando delitos na cidade, mas que são uma minoria que acaba prejudicando a todos.

— Há venezuelanos maus, como há brasileiros maus, peruanos maus. Mas porque um pilantra lá roubou, eles não dão trabalho pra mim? Dizem que no Brasil tem problema de emprego, mas o que nós vivemos na Venezuela não se compara.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *