Mulheres cobram comprometimento na luta pela igualdade de oportunidades

Da Redação

Entoando palavras de ordem pelo fim da violência contra mulher, trabalhadoras deram inicio as atividades do Março Mulher, realizado nesta quinta, 8, no Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde, em São Paulo. “Eu me comprometo” gritavam as centenas de mulheres ao fim da palestra sobre Violência contra Mulher ministrada por Mônica Veloso, vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos.

A frase faz parte de uma campanha mundial lançada pela IndustriAll Global Union que busca o compromisso das entidades filiadas para combater a violência em todas as esferas da vida da mulher, inclusive no trabalho.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o 5º país com maior índice de homicídios femininos no ranking de 83 nações. Só em 2013, 13 mulheres morreram por dia só por serem mulheres, segundo o Atlas da Violência de 2015.

“ Precisamos romper essa barreira, acabar com todo tipo de violência contra mulher porque ela é um obstáculo na luta pela igualdade e o sindicato tem papel fundamental nisso” disse dirigente.

Espaços de poder

Ser mulher no Brasil é realmente uma tarefa muito difícil. Além da tripla jornada, e da baixa remuneração, ocupamos poucos espaços de poder. E dados confirmam.Em 2016, 62,2% dos altos postos no país, nos setores público e privado, eram ocupados por eles, e 37,8% por elas, mesmo as mulheres sendo as maioria aprovada nos concursos públicos.

Para o presidente da Força São Paulo Danilo Pereira o exemplo de igualdade tem que vir do sindicato.
“ Nosso objetivo é combater a desigualdade nas relações trabalhistas e para isso lutamos pelos direitos dos trabalhadores, então nada mais coerente do que ver mulheres ocupando espaço de poder dentro da entidade, o exemplo tem que vir de dentro”.

Reforma Trabalhista

Em vigor desde novembro do ano passado, a reforma trabalhista fez direitos que levaram anos de luta caírem por terra em apenas algumas canetadas.

De acordo com a desembargadora do TRT de São Paulo Ivani Bramante, de todos os impactos negativos da reforma trabalhista o mais grave é a possibilidade de gestantes e lactantes trabalharem em local insalubre.

“ Não temos a dimensão do mal que essa nova norma pode causar a saúde da mãe e do bebê. Os agentes nocivos podem afetar aos dois. Com bebês nascendo enfermos em pouco tempo teremos uma sociedade doente e isso vai refletir também no INSS”, afirmou.

Reforma da Previdência

Sob argumento de igualdade o governo queria mexer em outro direito adquirido pelas mulheres, o da aposentadoria. A proposta era elevar a idade mínima das mulheres para 62 anos e o tempo de contribuição para 40 anos. Requisito quase impossível, segundo a mestre em direito previdenciário Tônia Galleti.

“Como é que uma pessoa vai contribuir por mais de 40 anos para a Previdência se aos 45 anos ela é invisível para o mercado de trabalho? É preciso mexer na Previdência, mas não da forma que querem fazer”, assegurou Tônia.

A advogada também cobrou mais comprometimento dos homens na luta pela igualdade.

“A consciência tem que partir principalmente dos diretores dos sindicatos. Porque não basta falar em igualdade, tem que participar, promover ações de inclusão.Desejo que no próximo evento os homens fiquem até o final porque falar de direitos iguais é promover uma sociedade melhor e isso é o que todos querem.”, finalizou.

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