Nei é eleito presidente da nova federação nacional de portuários

Fonte: Assessoria de Federação Nacional de Portuários

Ao relatar, chorando, que estivadores de Manaus passam fome,sindicalista de lá foi aplaudido

Por aclamação, unanimidade e aplausos, o presidente do sindicato dos estivadores de Santos, Rodnei Oliveira da Silva ‘Nei’, foi eleito presidente da federação dos estivadores, capatazia e portuários do Brasil (Fecpb), na manhã desta quarta-feira (13).

A eleição foi no sindicato dos operários portuários de capatazia de Santos (Sintraport), por volta das 11 horas, quando foi fundada a nova federação, que será registrada em cartório e no ministério do trabalho, em Brasília, nos próximos dias.

A nova entidade se contrapõe às federações dos estivadores (FNE), dos portuários (FNP) e dos conferentes, consertadores, vigias, trabalhadores de bloco, arrumadores e amarradores (Fenccovib). A solenidade reuniu sindicalistas de outros portos.

Um deles, Ivo Nascimento, estivador de Manaus (AM), chorou em seu discurso, e arrancou aplausos do auditório, ao dizer que sua categoria passa fome por estar sem trabalho há mais de um ano. Segundo ele, com anuência da FNE.

Sindicatos extintos

Em seu discurso de posse, Nei explicou que a nova federação terá como um de seus primeiros atos lutar pelo restabelecimento do mercado de trabalho no porto amazonense, tomado, segundo ele, por trabalhadores estranhos ao sistema.

“Isso vem acontecendo em vários portos”, ponderou o presidente da Fecpb, “sem que as três federações mexam uma palha para mudar o quadro de exploração e penúria. Mas viemos para mudar a situação. Quem viver verá”.

“Os problemas dos portos não são os trabalhadores”, discursou Nei. “Vamos reverter o panorama de dificuldades e resgatar a união dos trabalhadores de todos os portos, sejam avulsos ou vinculados. E a adesão à Fecpb será enorme”.

Ele citou portos como o de Maceió (AL), onde, conforme relatou, sindicatos foram extintos, “fechados da noite para o dia. Não permitiremos que isso venha a acontecer mais. A nova federação lutará para trazer de volta os sindicatos aniquilados”.

Políticos sem voto

O presidente do Sintraport, Claudiomiro Machado ‘Miro’, reclamou que as três federações “não representam os trabalhadores. Seus presidentes parecem mais políticos, mas sem voto popular, do que sindicalistas”.

“Querem fazer o que cabe aos políticos e não cuidam dos interesses dos trabalhadores”, disparou Miro. “Esta mudança é necessária há anos. Estamos nos unindo pela dor, mas juntaremos os cacos para refazer o vaso da nossa representação nacional”.

A solenidade contou com mais de 100 trabalhadores de base dos dois sindicatos, os maiores do porto de Santos, e sindicalistas de outras categorias, como trabalhadores na construção civil, rodoviários, químicos e de limpeza.

O presidente estadual e o coordenador regional da central Força Sindical, Danilo Pereira da Silva e Macaé Marcos Braz de Oliveira, discursaram em apoio à nova entidade. Também estiveram presentes um vereador de Santos e um de São Vicente.

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