Portuários de Santos contra privatização das docas

Fonte: Assessoria de Imprensa do Sintraport

O sindicato dos operários portuários (Sintraport) de Santos não aceita a privatização das companhias docas e administrações públicas dos 37 portos organizados do Brasil.

Seu presidente, Claudiomiro Machado ‘Miro’, participou de audiência pública sobre o assunto, na câmara federal, nesta terça-feira (4), acompanhado do diretor de patrimônio Robson de Lima Apolinário.

‘O futuro das companhias docas e as funções essenciais das autoridades portuárias para o desenvolvimento do setor portuário nacional’ foi o tema da audiência da comissão de viação e transportes.

Deputados e representantes do setor defenderam a descentralização da gestão dos portos, hoje a cargo do governo federal, propondo que a administração caiba às docas e autoridades portuárias nos estados e municípios.

Uma das reclamações é que a lei dos portos (12.815-2013) enfraqueceu as docas, tirando delas uma série de tarefas e transferindo-as para o ministério dos transportes, portos e aviação civil.

Discutível

Miro e Robson consideram o assunto discutível, mas, de antemão, não opõem resistência à ideia. Eles ficaram preocupados com a segunda parte da audiência, quando se debateu a privatização das docas.

“Aí o bicho pega”, diz o presidente do Sintraport. “Só de ouvir falar em privatização, os trabalhadores dos portos ficam com um pé atrás. Quando essa palavra chegou aos portos, nos anos de 1980, começou o nosso infortúnio”.

Miro fala da primeira lei de modernização dos portos (8630-1983), que, segundo ele, “prejudicou enormemente os trabalhadores das companhias docas e também os avulsos”.

“A partir daí, sofremos uma série de retrocessos em nossos direitos, com uma sequência de leis de modernização, deixando os trabalhadores num estado de quase miserabilidade”, diz o sindicalista.

Prejuízos

Miro, que representa uma parcela dos empregados da estatal companhia docas do estado de São Paulo (Codesp), é “totalmente contra a privatização das administrações portuárias”.

“Ainda que parcial, como ensaia o governo, a medida com certeza só nos trará prejuízos”, diz, por sua vez, o diretor Robson. “As privatizações só nos prejudicaram, ao longo dos últimos 34 anos”.

“Os interesses da iniciativa privada não são os nossos”, pondera o dirigente. “Preferimos tratar com o estado, do qual fazemos parte, como cidadãos, do que com os empresários que visam apenas o lucro”.

Estivadores

O presidente do sindicato dos estivadores, Rodnei Oliveira da Silva ‘Nei’, também participou da audiência pública e espera que a comissão formada para debater a lei dos portos “reveja seus pontos negativos”.

“Nosso sindicato apresentará uma série de sugestões de mudanças na lei, principalmente no artigo 44, que, esperamos, os deputados levem em conta, reparando injustiças com os trabalhadores”, diz Nei.

Esta sugestão de pauta tem informações da ‘agência câmara notícias’ e de reportagem de Noéli Nobre, com edição de Newton Araújo.

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