Um bálsamo para quem tem pressa

Desde março de 2020 , quando a ONU declarou oficialmente o início de uma pandemia, temos vivido tempos difíceis.

Foram milhões de vidas perdidas nesses catorze meses de crise sanitária e a lentidão na vacinação não aponta um horizonte promissor.

E como se não bastasse o clima desolador de morte e escassez de vacinas, estamos às voltas com uma antiga ferida: a fome. Nada menos que 125,6 milhões de brasileiros enfrentam algum grau de insegurança alimentar. Isso significa que pouco mais da metade da população não tem o que comer ou precisa escolher entre as refeições desde a chegada do novo coronavírus.

Enfrentar a pandemia com tão pouca seriedade, não só ceifou mais de 400 mil vidas, como fará o Brasil retornar ao Mapa da Fome em 2022, segundo alerta de especialistas da ONU. E no que depender da falta de política do governo, corremos o risco de ter números ainda mais assustadores.

Sendo assim, cabe a nós uma convocação para a ação, uma mobilização que desperte a importância da solidariedade. É preciso união não só para pressionar por vacina, mas também para abrandar a fome.

Não à toa, temos concentrado nossos esforços na arrecadação de alimentos. Ao todo, foram  15 toneladas de comida doadas pela Força a CUFA no último Dia do trabalhador.

Mas a ação solidária não se restringiu ao 1º de Maio. Sindicatos de São Paulo seguem  contando com a generosidade dos trabalhadores e de pessoas da região para arrecadar mais alimentos para doação na campanha “Vacina no braço e comida no prato!”.

E podemos fazer ainda mais!

Proponho aos sindicatos que estão em campanha salarial que convertam parte do reajuste salarial ou adicionem uma cláusula econômica para a compra de cestas básicas com a finalidade de serem doadas a população.

O próprio sindicato poderia estabelecer os critérios de distribuição, tendo como os primeiros da lista os desempregados da sua categoria e os trabalhadores mais vulneráveis.

Entendo que a medida não vai diminuir a desigualdade, entretanto ter comida no prato servirá como um bálsamo para muita gente. Pois tão assustador quanto o medo do vírus, é a presença da fome.

Danilo Pereira
Presidente da Força São Paulo

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